Migrações em São Paulo: rumos e desafios

Em 2016, o coletivo de extensão universitária Educar para o Mundo completou 8 anos de existência. Desde 2009, o cenário migratório de São Paulo mudou bastante: naquela época a pauta da migração e do refúgio não tinha tanta visibilidade e havia poucas instituições e coletivos que trabalhavam com essa temática, ao passo que, atualmente, muitas pessoas têm se engajado nesse universo, através de pesquisas acadêmicas, redes de militância e em sua vida social, frequentando locais e eventos protagonizados por imigrantes.

 

Considerando todas essas mudanças, este texto tem como objetivo tecer um breve panorama de como a cena da migração modificou-se em São Paulo ao longo do tempo,  mostrar quais foram as contribuições do Educar para o Mundo, apresentar o final do ciclo atual de atividades e convidar nossos/as parceiros/as a uma reflexão conjunta sobre os trabalhos futuros do nosso coletivo de extensão.

 

No início de nossos trabalhos, falar em migração na cidade de São Paulo era quase sinônimo de falar em bolivianos localizados nos bairros do Brás e do Canindé. A Praça Kantuta, onde ocorre uma importante feira cultural e gastronômica de latino-americanos, era praticamente desconhecida e nós podíamos contar nos dedos os grupos de dança folclórica que estavam sempre presentes nos eventos. Além disso, o Educar para o Mundo era um dos poucos grupos que faziam da defesa da migração a sua militância, junto com o Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante – CDHIC e do Centro de Apoio ao Migrante – CAMI. Nesse período, começamos a pautar, com nossos companheiros, a mudança da legislação migratória e também iniciamos a articulação com os órgãos públicos responsáveis pela migração, contando com a importante atuação da professora Deisy Ventura que, com alguns de seus alunos e alunas, criou o Educar para o Mundo.

 

Nosso coletivo costuma afirmar que não tem um modelo fixo de atividades e que prefere referenciar-se pelas demandas concretas das/dos imigrantes. Isso significa que, ao longo do tempo, desenvolvemos os mais diversos tipos de trabalhos. Em 2009, durante o processo de inserção na comunidade de imigrantes latino-americanos, conhecemos os/as frequentadores/as da Praça Kantuta e a Escola Infante Dom Henrique, que tinha uma grande porcentagem de estudantes não-brasileiros e onde começamos a desenvolver atividades. Trabalhamos na escola até 2011 e realizamos, com crianças e adolescentes, oficinas de fotografia, de câmera pinhole e de animação, para dar-lhes instrumentos para contarem sua própria história. Com os adultos do Canindé, fizemos oficinas de jornalismo comunitário e sobre os direitos das/dos imigrantes. Também fizemos um pequeno documentário na Praça Kantuta, participamos da construção da Conferência Municipal de Migração, da Conferência Nacional sobre Migração e Refúgio e de diversas mesas e seminários na Universidade de São Paulo.

 

O que observamos hoje é um panorama bastante diferente daquele de sete anos atrás. Ao longo do tempo diversas ONGs e coletivos surgiram, foi criada a Coordenação de Políticas para Migrantes da Prefeitura, e os/as próprios/as imigrantes passaram a  se mobilizar mais. Nesse meio tempo, intensificou-se a chegada de refugiados/as de diversas nacionalidades, que também contribuíram para animar as redes de ativismo. Através desses novos agentes o tipo de trabalho que nós começamos desenvolvendo foi aperfeiçoado, além de áreas que nós não alcançávamos  foram sendo preenchidas. Mesmo que a cobertura não chegue a todos, hoje, imigrantes recém chegados em São Paulo têm um cenário muito mais positivo de acesso à moradia temporária, alimentação e informações sobre trabalho e outros direitos. Quanto aos imigrantes já estabelecidos, estes também deram um salto qualitativo e quantitativo em mobilização e muitos deles se encontram engajados em redes de suporte que facilitam a inserção no Brasil.

Evidentemente, ainda há muitos obstáculos para que as/os imigrantes sejam tratados da mesma maneira que os brasileiros, mas, ao fim de 2016, podemos notar vários avanços. Paralelamente aos avanços, temos notado que o Educar para o Mundo tem perdido parte do protagonismo e centralidade que tinha há alguns anos, pois as demandas dos imigrantes mudaram. Assim, após muito debate, decidimos que encerra-se um ciclo para o nosso coletivo de extensão. Consideramos que, junto a nossos parceiros, fomos bem sucedidos em preparar o terreno sobre o qual o cenário migratório se sustenta atualmente. Agora precisamos iniciar um novo ciclo que nos permita retomar relevância social, a partir das novas demandas que se colocam. Por isso organizamos um evento que servirá de paradigma da mudança, permitindo debater novas áreas de atuação para o Educar para o Mundo.

 

Convidamos a todas pessoas interessadas, sobretudo parceiros/as, amigos/as e imigrantes que cruzaram nossa trajetória nos últimos 8 anos para se juntar a nós no próximo sábado, dia 11 de março, no Museu da Imigração para o evento “Para onde vamos? Migrações em São Paulo: rumos e desafios”. Com ele propomos um debate aberto sobre o cenário da imigração e da sociedade civil nos últimos 8 anos em São Paulo, analisando as mudanças e diagnosticando as necessidades atuais. A partir dessa discussão redesenharemos as estratégias de inserção do coletivo no cenário das migrações. É um momento de debate de grande importância não só para o nosso coletivo, mas para todas as pessoas que tenham algum vínculo com o tema. Por isso, contamos com a presença e a participação de vocês!

 

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Quando? 11/3/2017, das 13 às 17h.

Onde? Foyer do Museu da Imigração (de frente para o auditório)

Visconde de Parnaíba, 1316 – Mooca, São Paulo – SP (próximo à estação Bresser-Mooca do Metrô)

Quem? É aberto ao público, mas pedimos para sinalizar presença pelo e-mail epm.guima@gmail.com para organizarmos a infraestrutura da forma mais confortável possível.
Dúvidas e informações podem ser enviadas para o e-mail acima.

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