Nossa História

A história do EPM começa em 2009, quando estudantes de Relações Internacionais da USP juntamente com a professora Deisy Ventura fundam o então projeto “Educar para o Mundo”. Antes disso, os estudantes já vinham debatendo extensão universitária no âmbito do Centro Acadêmico Guimarães Rosa, o que veio se aliar com a experiência extensionista da professora no Rio Grande do Sul. Escolher um tema para trabalhar foi um desafio, já que as relações internacionais dão a impressão de estarem longe, impossíveis de alcançar. Mas não restou dúvida após a visita do projeto à Praça Kantuta, onde há uma feira cultural e gastronômica de imigrantes bolivianos e peruanos. Trabalharíamos com imigração. E direitos humanos.

O projeto buscou trabalhar os direitos humanos dos migrantes latino-americanos na cidade de São Paulo por meio do diálogo horizontal com seus interlocutores. Inicialmente, foi na comunidade escolar da EMEF Infante Dom Henrique, próxima à Praça Kantuta, no bairro do Canindé. A escolha da escola como primeiro local de atuação ocorreu pela observação de que 14% de seus alunos eram imigrantes latino-americanos.
Na Infante D. Henrique, buscamos participar da organização de atividades culturais da escola e da comunidade, envolvendo pais, alunos, professores, funcionários e lideranças comunitárias. Além disso, realizamos diversas oficinas de direitos humanos com a comunidade escolar, utilizando como base (ou seja, reinventando) os círculos de cultura de Paulo Freire (que como ele mesmo dizia, não poderiam se tornar um modelo, uma teoria, mas deveriam ser constantemente reconstruídos de acordo com a realidade em que acontece). Foram 2 anos de atividades, sobretudo com estudantes e professores, a fim de combater a violência derivada da xenofobia, de promover e estimular a aproximação da comunidade local e da escola, de estimular a apropriação da região pelos grupos culturais e artistas que ali atuam e habitam e de educar em direitos humanos, sempre em um processo dialógico e horizontal, como já explicamos anteriormente.

Atuando ativamente no contexto da Universidade, o coletivo passou a discutir também a transformação da estrutura universitária, de modo a aproximá-la da sociedade, um debate que é intrínseco à extensão universitária. No que diz respeito a essa atuação, procuramos trazer para a academia o acúmulo adquirido em nossas experiências externas, através da publicação de artigos, promoção de palestras, debates e exposições.
Dentro da escola procurávamos sempre debater os projetos nas reuniões internas dos professores para que eles contribuíssem com seu conhecimento calcado no cotidiano de seu trabalho. O mesmo foi feito com os alunos: por meio das atividades de apresentação do nosso coletivo pudemos conhecer seus anseios, seus problemas e sua perspectiva sobre a questão da imigração. Esse é um exemplo do processo dialógico do qual falamos. Dessas interações saíram as propostas de oficinas, palestras e intervenções que acabamos por realizar. Na realização das atividades, os participantes deveriam ter papel ativo e eram co-autores, nunca receptores dos produtos finais. Essa postura é o que possibilita ao conhecimento popular entrar na universidade e enriquecer o saber acadêmico.

Em 2012, o EPM deixou de atuar na Escola. Apesar de termos conseguido alcançar parte dos nossos objetivos, não foi mais possível continuar lá. A mudança constante da diretoria e de professores (que algumas vezes nos apoiavam, outras vezes não) nos fizeram passar para outro campo de atuação. Da escola, partimos para agir junto das associações de migrantes e nos espaços ocupados pelas comunidades migrantes. A partir de então, adotamos um foco mais político, de incidência na questão migratória, em todos os âmbitos, principalmente na luta por alterações na legislação migratória (que hoje já está em um estágio muito mais avançado) e pela efetivação de políticas públicas para migrantes. Já não éramos mais um projeto (com data de início e término), nos tornamos então um coletivo extensionista, com um escopo maior de atuação.
Objetivando essa atuação política, passamos a fazer parte do “Fórum Social pelos Direitos Humanos dos Migrantes” e continuamos realizando oficinas, mas um pouco diferentes. As oficinas que realizamos desde então (ainda utilizando a metodologia freiriana) são sobre a legislação migratória: o obsoleto Estatuto do Estrangeiro e as propostas de mudança. Dividimo-nas em 4 eixos: direitos políticos, direitos sociais, [não-]acesso a mídia e criminalização da imigração. A ideia é estabelecer um diálogo entre as regras que regem a vida do imigrante e a sua experiência pessoal.

Desde o início de nossa existência, frequentamos diversos eventos relativos à nossa área de atuação, para nos formar, contribuir para a construção de boas políticas e leis para imigrantes e apresentar artigos que produzimos. Aí se enquadram a Cúpula Social do Mercosul, à que fomos em 2012, em Brasília; o Fórum Mundial das Migrações em Quito, no ano de 2010; o Extenso (Congreso Iberoamericano de Extensión Universitária), em Santa Fé (Argentina), no ano de 2011; e, em 2013, o Colóquio Interamericano de Educação em Direitos Humanos.
Desde 2013 o EPM vem buscando estabelecer vínculos com outras comunidades migrantes além das latino-americanas, o que vem sendo feito gradativamente. Nos aproximamos da população refugiada no ano passado, realizamos uma mesa de debate sobre “Nova Imigração Negra no Brasil” e agora tentamos consolidar essas ligações.

Com a criação da Coordenação de Políticas para Migrantes da Prefeitura de São Paulo em 2013, no âmbito da Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SMDH), desenvolvemos projetos conjuntos, como o documento-base para a 1ª Conferência Municipal de Políticas para Migrantes e um sarau no abrigo provisório montado para imigrantes recém-chegados na Rua do Glicério, realizado em 2014. Foi em 2013 que surgiu o Cosmópolis, um novo projeto de extensão do IRI-USP em parceria com a SMDH, a que o EPM apoia e do qual faz parte. Seu objetivo é auxiliar no mapeamento dos problemas que a população migrante enfrenta em São Paulo e, por conseguinte, a elaboração de políticas destinadas a resolvê-los.

Em 2014, participamos da COMIGRAR (Conferência Nacional de Migrações e Refúgio), com delegados e uma oficina sobre políticas públicas municipais para migrantes. Quanto à legislação migratória, estivemos presente nas audiências públicas que as discutiram, sendo a última delas em 2014, na Casa de Cultura Japonesa da USP, já com um esboço do Anteprojeto de Lei de Migrações em mãos.
Em 2015, o EPM segue suas atividades e busca alcançar novos horizontes: ampliar o impacto do coletivo junto à universidade por meio de publicações e seminários (sem perder de vista a questão da democratização do conhecimento), promover contatos mais próximos entre nossos parceiros e ampliar a abrangência de nossa atuação por meio de novas parcerias, além de ter maior incidência na definição de políticas públicas para a população imigrante.

Para que tudo isso seja possível (e muito mais!), contamos com a participação e dedicação de nossos participantes. Se você é de RI ou da USP, venha participar de nossas reuniões e enriqueça sua experiência universitária. Se não for, sem problemas, o coletivo tem espaço pra todo mundo!

Um pensamento sobre “Nossa História

  1. Pingback: Um relato de uma ida ao Irã – as mulheres, o lenço, o feminismo e o anti-colonialismo | mel com café

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