USP: autonomia seletiva, de Leonardo Calderoni e Pedro Charbel

Tem-se dito pelos que defendem o convênio entre a USP e a PM que não se pode tratar a Cidade Universitária como algo que está fora da cidade de São Paulo. A própria reitoria tem feito discursos nesse sentido. E é verdade: a USP faz parte do território paulistano, paulista e brasileiro, mesmo sendo uma autarquia. Ter autonomia, afinal, não é o mesmo que ter soberania.

Agora, se a Cidade Universitária está sujeita a todas as leis municipais, estaduais e nacionais e deve ser tratada como qualquer outra parte do território, por que ela se fecha – material e intelectualmente – ao resto da sociedade? Por que a mesma reitoria que agora afirma a não-soberania da USP teve o poder, há alguns anos, de vetar a construção de uma estação de metrô dentro do campus? Por que em uma universidade pública, financiada pela sociedade, esta mesma não pode usufruir de seus espaços livremente sem uma carteirinha?

A USP virou uma terra de autonomia seletiva. Na hora em que convém a determinados interesses, há sim bastante autonomia para afastar a “gente diferenciada” que viria de metrô para dentro dos muros da universidade. Mas na hora em que não interessa, a autonomia some e o “campus é parte da cidade”. O discurso da segurança serve ora para defender o segregacionismo, ora para defender a integração. Aparentemente estamos condenados a sermos eternos reféns das “razões de segurança”.

Seria realmente desejável que os que defendem a integração da Cidade Universitária nesse caso, fizessem-no em tudo mais. Isso porque a Cidade Universitária não deixará de ser uma “ilha” por causa de um convênio com a PM.  Deixará de sê-lo no dia em que não for hostil aos que “não possuem carteirinha”. Deixará de sê-lo quando a comunidade São Remo, ao lado da USP, deixar de ser vista como antro de criminalidade ou fonte de mão de obra para os serviços terceirizados da universidade; e passar a ser vista como uma comunidade que detém o direito sobre aquele espaço assim como qualquer outro cidadão, afinal não é a Cidade Universitária um espaço como qualquer outro dentro da cidade de São Paulo?

Acima de tudo, a USP deixará de ser uma “ilha” quando realmente for uma universidade pública, na qual toda a sociedade possa usufruir do seu espaço e o conhecimento lá produzido não atenda apenas às demandas do capital privado – o que é legítimo, mas de modo algum suficiente. O papel da universidade deve superar o Ensino e a Pesquisa. É necessário que haja Extensão, isto é, que se trave um diálogo horizontal entre o conhecimento universitário e o restante da sociedade, em um processo que traga a sociedade para dentro da universidade, e vice-versa, tanto física quanto intelectualmente.

Mais do que uma questão de espaço e jurisdição, está em debate, portanto, o caráter público da USP. É preciso desvincular as discussões recentes de casos pontuais e associá-las a algo muito maior. No limite, a principal discussão não deve ser o convênio entre USP e PM em si, mas a maneira como este se deu e como são tomadas todas as decisões relevantes da política universitária, dentre as quais este convênio é só mais uma.

Ao contrário do que afirma a reitoria, esse convênio não foi decidido por uma “ampla maioria”, simplesmente porque nenhuma decisão importante na USP é tomada de maneira democrática. Novamente reina a autonomia seletiva: a universidade não está acima da lei quando se trata de polícia, mas segue desrespeitanto determinações de leis federais, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no que tange aos seus processos deliberativos. Não à toa, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital instaurou, nesse ano, um processo para apurar irregularidades na eleição da reitoria e na disposição dos assentos dos docentes em órgãos colegiados constituintes do colégio eleitoral.

Se o convênio USP-PM encontra suas justificativas no factual problema da segurança, a maneira como ele foi firmado já o invalida por completo. É a mesma maneira pela qual se permite que processos administrativos sejam usados como forma de repressão e controle político. Advêm da mesma estrutura as iniciativas que ilham o Ensino e a Pesquisa desenvolvidos dentro da USP, na qual os cursos pagos e os convênios com grandes empresas são as únicas formas de diálogo com a sociedade.

Recentemente, a Congregação da Faculdade de Direito da USP declarou o reitor João Grandino Rodas “persona non grata”. Reconhecer os problemas da gestão Rodas é, sem dúvida, um passo importante. É fundamental, todavia, entendermos que o reitor que está sob investigação do Ministério Público encontrou na estrutura da própria universidade as possibilidades para assim atuar. Mais do que uma “persona non grata”, há na USP toda uma “estrutura non grata”. E no caso da Cidade Universitária, além da estrutura decisória, também a estrutura física precisa ser rearquitetada.

Quando o diálogo não for mais uma promessa vazia e a democracia uma propaganda enganosa, aí sim a USP poderá deixar seus dias de ilha e autonomia seletiva para trás. A USP não deve mais ser um enorme terreno desértico, hostil e sem iluminação; assim como deve se afirmar enquanto universidade pública à serviço da comunidade. A universidade deve ser permeável à sociedade em sua totalidade, não só no que diz respeito à polícia – cuja atuação e estrutura devem ser questionadas dentro e fora do campus. Só assim, a Cidade Universitária será um lugar muito mais seguro e, principalmente, muito mais útil à cidade que a abriga e aos cidadãos que a sustentam.

Leonardo Borges Calderoni e Pedro Ferraracio Charbel são estudantes de Relações Internacionais da USP

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69 pensamentos sobre “USP: autonomia seletiva, de Leonardo Calderoni e Pedro Charbel

    • o que temos há tempos lá? CUSP… de uma elite que prepotentemente se acha DONA DA RAZÃO E DA VERDADE ABSOLUTA. Abaixo alguém pergunta: qual a diferença de um estudante de USP para um outro cidadão qualquer? Os professores ensinam ÉTICA? E como se submetem a trabalhar nesses moldes?

  1. Muito bom. Foge dessa “discussão” sem fundamentos das mídias sociais e adentra o que, na minha opinião, é o principal problema. Parabéns

  2. Ótimo texto, vocês deram um belo panorama da política vivenciada pela USP. Poém vale ressaltar que movimentos como este da FFLCH só contribuem ao fortalecimento dessas políticas uma vez que desmoraliza e marginaliza os estudantes uma vez que estes adotam posturas marginais de defesa ao livre consumo de drogas em detrimento de protestar contra todas as outras importantes mazelas apresentadas no campus.

    Vale ressaltar que assim como os senhores apontam a falta de democracia por parte da Reitoria, a invasão do prédio da própria reitoria é uma demonstração de não-democracia por parte dos protestantes que não aceitaram o resultado de assembleia entre os próprios estudantes que decidira peal retirada do prédio da FFLECH.

    Além do mais, a maior parte dos estudantes, aqueles que não usam droga, ou apoiam ou não se incomodam com a presença da PM, que sabidamente, por si só melhora mas não resolve o problema. Como bem apontaram, precisa-se abrir a USP, não só a PM, mas também aos cidadãos que a custa de impostos a mantém, sem nenhum retorno e ainda têm de aturar alguns pouco privilegiados, fazendo baderna e de-pedrando patrimônio público pelo direito de cheirar um carreira e puxar um baseado. Algo muito triste e revoltante principalmente sabendo-se dos problemas que a universidade enfrenta e sabendo que este protesto vazio só vem a dificultar qualquer ação de mudança. Fossem estes alunos conscientes e preocupados com as questões maiores, brilhantemente apontas pelo Leonardo e pelo Pedro neste texto, ao menos não contribuiriam para a perda do apoio da opinião pública com atitudes marginais.

  3. A Cidade Universitária é um espaço privilegiado da reprodução das desigualdades sociais paulistana, paulista e brasileira e se associa e desassocia da cidade à semelhança de espaços privados, como os campi de faculdades particulares, shopping centers e condomínios fechados. O que impressiona é a falta de uma política estudantil para a universidade e de extensão (sequer existe essa discussão no cotidiano da universidade). E a pergunta colocada no texto tem a resposta óbvia: somos e seremos escravos das questões de segurança enquanto questões de segurança se impuserem. A sociedade capitalista tem a violência no bojo. Ou não?

    • Marcos berger A sociedade capitalista é a única sociedade que se manteve, ela tem a violência no bojo como teve a comunista e a socialista, não adianta nos basearmos na utopia. A realidade socialista é cuba, é a repressão na coreia do Norte e na china. Pior que o capitalismo é a falta de democracia em que resultaram as experiências socialistas. Onde governos ditatoriais se impõem também pela força e pela violência. No resto tendo a concordar contigo. Quanto a sermos escravos das questões de segurança, realmente seremos escravos enquanto o crime for um bom negócio tanto para o assaltante quanto pro traficante, quanto pro deputado. Hoje tamanha impunidade, e a desvalorização da formação e do trabalho o crime é vantajoso em todas as suas esferas.

      • Felipe… Você é analfabeto político! Já viste a poesia?!? Vá ler! Leia muito meu filho!! Leia até ficar cego! É a tua cara “Felipão”! Se a Utopia não existisse enquanto força humana, enquanto elemento fundamental a humanidade, eu nem poderia estar tendo o desprazer de saber que você existe. Moderados e arnaco-pops são tão identicos ao Milton Friedman… Em cima do muro, o lugar dos medíocres! Fabrica de patifes!

      • Eduardo, seu comentário foi bastante infeliz. Será que a carapuça serviu em você? Deve ser um maconheiro metido a comunista.

      • Caro Eduardo, não precisa ser mal educado, só vou esclarecer alguns pontos. Primeiro, não estou em cima do muro, me posicionei, contra a ideia de implementar-se um socialismo ou comunismo, tendo em vista os resultados destas experiências. Segundo em momento algum nego a a existência da Utopia enquanto elemento fundamental a humanidade, como você colocou, claramente eu expresso apenas a minha opinião de que não podemos nos basear em utopia, embora ela exista. (não sei realmente o que a utopia existir tem a ver com vc saber que eu existo). E considero a democracia ainda mais importante. Por fim, eu leio e já li muito, curso a terceira faculdade e estou longe de ser medíocre. Posso responder por mim, o desprazer é todo meu.

  4. bál, blá, blá…

    Pergunta que não quer calar:”Qual a diferença dos universitários da USP de qquqer outro cidadão?!

  5. Mas….HEIN !?!?

    Essa situação toda parece um texto feito por um aluno mal-alfabetizado de ensino básico…

    Houve uma situação (o flagra dos três estudante com maconha) e, a partir dela, ocorreram uma série de desdobramentos que, ao final, em nada tinham em comum com a situação original. E, agora, alguém vem querer justificar tudo isso por conta da “injustiça” da presença da PM no campus ?

    Por sinal, essa história de que a presença da PM pode até ser pedida pela maioria, mas foi feita de forma errada, e portanto invalida a sua presença, é tão maluca que é at~e difícil argumentar contra.

    Pessoas são MORTAS na USP. Pessoas são ESTUPRADAS na USP. Pessoas são assaltadas, têm medo de frequentar a USP em certos horários e locais, e vocês querem ficar discutindo se a PM devia ser chamada desta forma, ou daquela forma ? Mesmo ? É essa a questão ?

    Antes que alguém venha com o discurso de sacrificar a liberdade em pról da segurança e “who watch the watchers”, quero lembrar que estamos falando apenas sobre uma presença policial padrão. Ninguém está tendo nenhum direito cassado, nem está havendo perseguição alguma. É a lei sendo cumprida, então esse argumento é inválido.

    Se a reitoria está tomando decisões de forma autoritária (não tenho acompanhado esse assunto, não posso opinar) qual a relação disso com a PM !? É como se um médico estivesse sendo acusado de um crime e, portanto, fosse impedido de estancar o sangramento de um paciente.

    “Vou parar esta hemorragia.”
    “Não pode, o senhor é um criminoso !”
    “Mas o paciente vai morrer !”
    “Não importa, o senhor é um criminoso, portanto tudo que faz está errado !”

    Por pior que seja a reitoria, por mais incorreta que seja, não consigo ver a lógica de achar que esta atitude em particular, pedir ajuda da polícia para que alunos não sejam mortos ou violentados, possa ser errada, digna de crítica, e merecedora dessa zona toda !!!

    Sério, me expliquem. Eu quero entender. A tal autonomia é mais importante do que a vida dos alunos ? O convênio da PM extende o patrulhamento até às salas de aula, centros de pesquisa e currículo ?

    • Caro JJ, comecei a ler seu texto, mas depois que você chamou os autores de “alunos mal-alfabetizados” e escreveu “ocorreram uma série” fiquei sem saco. Desculpa aí.

      • Deveria ter terminado, cara.
        Você aprenderia muito mais do que com o texto acima.
        Analfabetos eles não são, mas tem conceitos errados.
        Dá uma lidinha! Aposto que você pode aprender alguma coisa.

      • Perdeu a oportunidade de aprender algo na sua vida escrota. Se não quer ler e não sabe fazer uma crítica construtiva faça nos o favor de calar-se e manter-se em sua insignificancia. Grato

      • Caros “politikaetc” & “João Bosco”, vocês são a cara desse movimento que ao que parece que só se vê ainda na USP. Ao invés de responderem ao JJ da forma mais politicamente correta, como deve ser o papel de uma pessoa educada que faz parte do 1/6 da população que chega a universidade, vocês respondem com “fiquei sem saco” e “dá (?!?) uma lidinha”. Por favor senhores, chega de falso moralismo de um lado ou de falso discurso libertário do outro. Nosso país é corrupto, vocês são corruptos, os estudantes que fumavam maconha e desta forma sustentavam os traficantes, os políticos e os policiais também são corruptos, todos são imorais!
        Por que ao invés aproveitarmos para recebermos a educação do estado – educação esta paga com o meu imposto, logo eu que nunca tive a oportunidade de chegar a uma faculdade, que dirá uma pública – e transformarmos O MUNDO ao nosso redor com as idéias que temos após sairmos da universidade, através da consciencia política correta. De outra feita, faremos sempre a politica do “farinha pouca meu pirão primeiro”.
        Parem de destruir a universidade, parem de gritar palavras de ordem contra a PM, pois no dia em que suas filhas estudarem lá e forem estupradas ou seus filhos forem assassinados ao buscarem o carro no estacionamento, a quem vocês vão chamar? Por acaso ao dirigente político baderneiro que levou o carro de som ao campus e começou toda a gritaria, ou irão a PM?
        Tive um chefe alemão que uma vez me disse que não adiantava pegar em armas e revolucionar com a violência sem a inteligência, a própria Alemanha já tinha feito isso quando pela força da repressão social elegeu o partido trabalhista de Hitler, mas o motivo principal pelo qual vc não deve pegar em armas ou protestos não pacíficos é que você rasga as regras e dá ao outro lado o mesmo direito de fazer o mesmo contra você.
        Pensem nisso. Pode ser que se passem ainda várias gerações, mas sem consciencia, educação e politica andando juntas, nunca seremos realmente livres, nunca teremos o poder da decisão, nunca seremos uma nação.

    • Existe um velho ditado, que é por volta disto:
      “Não jogue pedras no telhado dos outros se o seu for de vidro”.

      “aluno mal-alfabetizado”?
      “extende” –> eStende.

      Essa luta não é pela maconha ou qualquer outra droga (diga-se álcool, cigarro), mas pelo direito de ir e vir sem a sensação de estar sendo vigiado.

      Libre!

      • ai velho sabe o que vc faz? vira eremita..
        mlk vive em sociedade pq? vc nao esta sendo obrigado, por assim dizer… qr fazer qq coisa sem se preocupar com os outros? adentra uma floresta e mora lá… vc sera so mais um animal da fauna local…

      • Porra, vai dar um rolê no Capão, Campo Limpo, Guaianazes. Lá vc não vai ter a sensação de estar sendo vigiado.

    • Achei perfeita sua colocação, concordo o texto acima onde ele diz que o foco da discussão está errada. Se a polícia foi chamada de forma errada ou não (concordando com você) não importa, se não for a PM que seja qualquer força de segurança. Acredito que o texto deste post defende segurança no campus e defende o pleno uso do mesmo por quem o sustenta! Achei esse texto graças a uma discussão no FB onde, infelizmente, um prime meu parabeniza os baderneiros que se aproveitaram da situação para terem o direito de se drogarem no campus! Isso sim é absurdo…e ainda ter gente que apoia e me chama de alienado pq n concordo. O fato é que existem interesses políticos e corrupção, existe violência, existe consumo de drogas ilícitas e tudo isso está errado! O foco tem ser voltado para isso e não para presença da polícia! Vejo seu comentário, caro Marcelo como um complemento do texto original do post, porém com focos diferentes e complementares, divergindo apenas no menos importante (como você mesmo disse) se está errado ou não a PM no campus. Lembrado que, na minha opinião polícia não “oprime” quem usa corretamente seus direitos e cumpre da mesma forma seus deveres!

    • Muito bem colocado. No fundo o protesto começou simplesmente pelo “direito” de usar e traficar no campus. Dando um fo…da..se para quem foi morto, assaltado ou estuprada no campus, pois acham seus direitos acima dos dos demais. Em rigor, esse protesto age da mesma forma que os protestantes dizem agir a reitoria, de forma arbitrária, aquém da vontade da maioria e sem a menor lógica. Como vc disse a PM não está lá para reprimir a livre expressão, nem as discussões acadêmicas muito menos para patrulhar salas de aula, mas até onde se sabe o uso de drogas é proibido passível de termo circunstancial, e a posse de drogas em quantidade que caracterizam intensão de distribuição ou venda é passível de apreensão dos envolvidos. A polícia tem o direito de fazer seu trabalho seja onde for, não havendo abusos o que claramente foi o caso (não houve abusos). Discutir a legitimidade do acordo é mesquinho quando se trata de vidas sendo perdidas por falta de policiamento, iluminação e etc.

  6. É um discurso muito bonito e teoricamente correto. Mas de um nível de praticidade que deixa a desejar.
    Na UFC, Universidade Federal do Ceará, o campus é aberto ao público, não precisamos de carteirinha para entrar.

    Mas isso não é necessariamente bom. A segurança é comprometida, a higiene e muitas outros problemas. Infelizmente, acontece.
    Se quiserem fazer o mesmo, estejam prontos para arcar com as consequências disso, que existem…de resto é utopia de pseudo-intelectual.

  7. Ótimo texto, parabéns mesmo! Inteligente e esclarecedor! Porém, gostaria de saber em que mundo vocês vivem pra idealizar uma universidade do nível da USP sem o tal do “segregacionismo”? Esse discurso não funciona, não é prático e até hoje não vi um movimento dentro da universidade que se mobilizasse de forma apolítica ou sem pequenos entraves que quem está dentro sabe como que funciona (partidos políticos, funcionários, maconha, manifestação sem fundamento, etc). Esses “líderes estudantis revolucionários” não são exemplo pra nada na sociedade!

  8. Sou de BH li o texto, link comparitlhado no Facebook, de fato fica fácil de “julgar de fora”, mas já que o espaço está aberto para opiniões, vou palpitar…

    Não entendi qual o problema dessa “carteirinha”, se for um documento, instrumento de controle de acesso não vejo o menor problema nisso, é aliás uma ferramento de auxílio na segurança desde que não seja uma coisa paga, tipo mensalmente.

    Agora, o principal… o texto chega até ser um pouco sensato, porém ao focar e bater no discurso da questão do sentido “público” da universidade peca na minha opinião por não mencionar a questão dos estudantes de baixa renda serem minoria na universidade (já que o foco é a questão “pública da coisa”), isso deveria ser uma das questões principais e não só as questões que estão em torno de vocês (do póprio umbigo), porque corre risco de passar uma certa contradição e até hipocrisia.

    E de qualquer forma, NADA justifica o que aquele pessoal fez… abominável.

    E os que não fizeram e foraa contra aquilo tudo (maioria imensa) por que não fizeram manifestações contra essa minoria explicando essas questões??? Por que a manifestação que teve foi bem tímida…

  9. Outra questão é tipo querer denominar a presença da PM, como “arbitrariedade unilateral da reitoria”… soa o absurdo. Até porque aposto que todo mundo era a favor quando ocorreram os casos de violência, houveram até manifestações cobrando por segurança na época…

  10. Ok, sr Leonardo, como a sua casa não é de acesso público e universal você não poderá acionar a PM caso seja invadida por bandidos.

  11. Ainda sobre o “famigerado” convênio com a PM, minha opinião é de que isso não é questão… assunto p/ ser decidido por uma “ampla maioria”… papo mais furado e se por acaso consta isso na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (o que acho difícil) está na minha opinião totalmente equivocada. Segurança pública está acima desse mimimi… E não venham me rotular de “ditador mimimi”

    Qual o problema em ter a PM rondando a universidade? Em ser eventualemnte abordado? Evidentemente, desde que forma respeitosa e de acordo com manual da PM, se por acaso não foi não é culpa da “reitoria arbitrária”, vá ao batalhão correspondente denuncie, procure a corregedoria ou faça uma denúncia anônima, ou processe…

    Concordo que em quase todos assuntos o pessoal deve ser consultado (estudantes, professores, funcionários) agora nisso? Ainda mais depois do que aconteceu lá… ter que pedir que pedir a “benção” dos alunos p/ isso é piada ou desculpa esfarrapada p/ fazer jogo político em cima da reitoria ou com outro intuito político…

  12. Marcelo, parece que você não entendeu o texto. A questão nunca foi a soberania da USP e a não entrada “em absoluto” à PM no campus. É exatamente o que o texto tenta apontar: a questão é a maneira como as coisas são decididas e porque o resto da sociedade também não pode entrar no campus para usufruir de um bem público. Que a PM possa entrar para coibir crimes comuns e a autonomia seja não seja usada como argumento, se entende. Que a mesma universidade possa vetar metrô e impedir a circulação do cidadão comum, aí sim com bastante autonomia para passar por cima de instâncias governamentais, realmente não tem explicação.
    Abraços.

    • Primeiro, Leonardo, obrigado por me responder de forma educada. É mais do que se consegue hoje em dia na maioria das vezes.

      Reli seu texto algumas vezes, depois do seu comentário. Talvez pela pressa, talvez por alguma dificuldade de interpretação, não sei, mas ainda fico com uma sensação de que você está falando sobre diversas idéias que não necessariamente estão relacionadas, a não ser pelo fato de estarem envolvendo a USP.

      O que, de certa forma, parece ser exatamente o retrato do que está ocorrendo na USP.

      Muitos comentários aqui criticaram o fato desse “bando de maconheiros que estão fazendo confusão” ocuparem a reitoria. Mas, curiosamente, do pouco que consegui filtrar, os que menos estão causando confusão são os “maconheiros”, que se apresentaram espontaneamente na delegacia algumas horas depois, acho que ainda durante a ocupação, registraram um B.O. e, se chegarem a ser punidos, deve ser, no máximo, prestação de serviço. Se tanto.

      Então eu reitero minha colocação inicila: mas…HEIN !?

      O que querem ? Quem querem ? Como buscam ? Ou, pra resumir, o que raios está havendo !?

      É um protesto contra a presença da PM ? É um protesto porque a PM fio chamada/convidada/contratada desta maneira, e não daquela ? É um protesto porque não vai ter metrô/vai ter metrô ?

      E quanta legitimidade pode ter um movimento que afirma estar lutando pela autonomia/liberdade/insira palavra bonita aleatória aqui da USP quando a maioria dos alunos NÃO apoia esse movimento ? Ou, pelo menos, não apoia a forma como ele vem sendo conduzido ?

      No meu primeiro comentário afirmei que a situação parecia um texto de um aluno semi-alfabetizado (não o seu texto, eu digo a situação). Porque ? Muitas idéias, não necessariamente relacionadas, poucas conclusões e ausência de objetividade.

      Então me permita ser objetivo: o que querem os alunos que estão protestando ? Contra o que lutam ? Quem eles representam ?

      Obrigado.

      • Olá Marcelo,

        Esse texto é um esclarecimento sobre as principais reivindicações dos alunos, passando por uma breve explicação do funcionamento da USP como uma autarquia e o papel de uma universidade dentro da sociedade: http://www.facebook.com/notes/jannerson-xavier/esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-vê-de-fora/2459499642739

        A universidade deveria ser de TODOS, e deveríamos juntos lutar pela sua melhoria e extensão. O movimento estudantil não deve ser distorcido como uma “marcha da maconha”. A finalidade da discussão e do eventual enfrentamento ao Reitor e ao Governo do Estado (e sua PM) é a busca pela transparência política, manutenção e abertura do patrimônio público.

        Saudações,

  13. #OCUPAUSP, então este movimento todo é apenas sobre discussão da maconha .. mais nada ???!?
    se for, por favor, retirem este nome …

  14. E é pelo isolamento da USP em relação à sociedade que ela é tão sujeita a uma ocupação anual. Ocupar a Reitoria, apesar de ser apoiado apenas por uma parte da comunidade universitária, é relativamente fácil e cômodo por estar dentro do Campus. O diálogo democrático deveria começar por mudar as leis e não pelo infringimento delas ou uso da força por parte dos alunos. Deveria-se discutir com coragem o acesso a informação e ao conhecimento e mostrar, na prática, o que é pensar criticamente. Ora, toda ação corresponde a uma reação e o resultado é que o Estado tem mais poder de fogo (literalmente). Nessa luta, os estudantes acabam perdendo de novo, por não resolver seus problemas nem mesmo dentro da própria Universidade. Argumentos fracos, que só veem um lado da questão, o da minoria que quer fumar e invadir, e ignoram o que outras pessoas tem a dizer acerca de tais atitudes.

    • Amigo, perfeito seu comentário, os argumentos dos manifestantes são fracos, obscuros e visam fazer-se valer a vontade de uma minoria. Mostra que estes não sabem se articular como cidadãos e acabam por prejudicar discussões mais importantes com ações que criam uma generalização contrária aos estudantes.

  15. “bál, blá, blá…

    Pergunta que não quer calar:”Qual a diferença dos universitários da USP de qquqer outro cidadão?!”

    ???? Que comentário é esse??
    Me assusta a falta de argumentos dos quais as pessoas se utilizam… Se for pra discutir, fale com fundamentação, critique, discorde, esperneie mas com conteúdo…

    Me parece que ler também não sabe, pois a sua pergunta é respondida no texto…

  16. O texto até que foi bem escrito (quase escrevi escroto, mas serve também), mas foge do foco: Um BANDO de vândalos defendendo um bando de traficantes e viciados, que foram presos numa atitude legítima da policia de São Paulo. Parabéns aos PMs de SP. Mais uma vez demonstraram saber o que fazer em casos assim. Dou meu total apoio a eles.

  17. Até agora ninguém conseguiu explicar o porquê da recusa da presença da PM no Campus. E falar em Democracia e promover motim, quebra-quebra… Isso não me parece nada Democrático. A questão é simples. 1) Plebiscito com todos alunos da USP sobre quem é a favor ou contra a PM no campus. 2) Manifestação digna de 2011, livre de bandeiras, para a renúncia do reitor. Quem for aluno da USP e estiver descontente com o Rodas vai comparecer, independete da Faculdade onde estuda.
    Parece que inventei a roda, né amigos?

    Se precisarem de uma ajuda, estamos ai.

  18. Já que o senhor está tão bem informado sobre a situação da USP e sobre as reivindicações estudantis, pergunto:
    Pq não foram feitos protestos quando a proposta do metrô foi vetada???
    Pq não fizeram protestos contrários à presença da PM quando o contrato não aceito pela maioria foi assinado?
    Pq não foram pedir pela Ocupação da Cracolândia, Xingu Vivo, ou qualquer outra da salada de causas que reivindicaram durante a invasão, nas ruas, com a participação da sociedade?
    E, principalmente:
    Pq essa revolta toda foi desencadeada após a detenção dos 3 maconheiros?

  19. Em um dos comentários li “a questão é simples” e me assusta. Não, a questão não é simples. Estamos discutindo um ideal de universidade. Não a prisão “dos 3 maconheiros”, mas uma universidade integrada à cidade.

    Ótimo texto. Parabéns.

    • Eu que escrevi. E a questão é simples no que se refere à predisposição de se negociar e se manifestar de acordo com a realidade. Invadir, promover motim não me parece a melhor maneira de se protestar. E, desculpe, se a questão é discutir o ideal de universidade, escolheram o momento e a forma errada de começar. Pois isso ajudou a marginalizar estudantes, policiais, sociedade, tudo.
      Negociemos os direitos e deveres de TODOS estudantes da USP. Sem agir sob bandeiras, siglas e estatutos partidários. Por favor!

  20. No fundo o protesto começou simplesmente pelo “direito” de usar e traficar no campus. Não importa quem foi morto, assaltado ou estuprado no campus. Acham seus direitos acima dos dos demais.

  21. Como ex-estudante da USP, deixo meus cumprimentos aos autores do texto e minha simpatia em relação as posições que defendem.

  22. Eu já comi no refeitório da USP, já fui em eventos na Cidade Universitária, já visitei prédios de lá e usei a biblioteca de lá. Nunca fui estudante da USP. Nisso, eu acho que você falou besteira.
    Quanto a vetar as obras do Metrô, isso não é uma questão de quem fala mais alto, é apenas a opinião de quem representa a escola, embasada no censo comum. Afinal, é só cruzar a Marginal e você chega na USP.
    E independente de ser oriunda da São Remo ou não, Usp e redondesas são antros de criminalidade. Putusp e Maconhódromo que o digam!

    Essa manifestação, como todo mundo assustadoramente esqueceu, acontece todo ano. É só mais uma oportunidade pros alunos de História e Sociologia praticarem o “Socialismo” (deve ser até TCC essa porra). O que está acontecendo, é que não há nada melhor pra mídia mostrar.

  23. Ok, sabemos há tempos desses problemas, a questão da paritária etc. Mas pra variar, a oposição não consegue se unificar numa pauta comum e consistente e acaba se perdendo em questões práticas. Estou afastado da USP há algum tempo e costumava ter mais simpatia pelo mov estudantil, mas quando vejo aquelas palavras de ordem anacrônicas e vazias e aquele clima mais de festa, considero difícil o avanço do movimento. E infelizmente, os movimentos têm que saber trabalhar minimamente com a mídia e com a opinião pública, pois nesse requisito a situação tira de 10 a 0. Os movimentos devem aprender novas táticas, sem que exatamente signifique serem absorvidos pelo jogo político oficial, em que há partidos etc, pois o ponto do movimento é exatamente quebrar uma ordem para a instauração de outra; porém, querendo ou não, é preciso ter uma certa imagem minimamente positiva para não se tornar algo isolado e ganhar apenas a aura de uma falta do que fazer.

    • A questão NÃO É ESSA…
      A questão é que a falta de “causa” p/ defender…
      Pq não se manifestamo pedindo maior investimento na educação, saúde, saneamento, contra a corrupção, contra aumento absurdo da dívida pública, contra impunidade, contra ingestão do governo, enfim causas que visam melhorias p/ toda sociedade?

      Pq estão preocupados somente com próprio umbigo…
      Famosos rebeldes sem causa…

  24. enqwanto nos estamos brigando aki com a prefeitura para ter rondas na nossa faculdade pois esta tendo muitos roubos uns nao qwerem … nao estou ai para ver o qwe de fato esta acontecendo, mas se for pelo menos um pouco do qwe a midia fala sou contra

  25. Mais uma coisa, há muito tempo vejo a reinvindicação de docentes e funcionários voltada para a pauta salarial, mas pouco para os problemas estruturais e políticos da USP. Enquanto não houver uma reinvindicação mais profunda, que toca questões de longo prazo da administração universitária, continuaremos apenas a colocar mais e mais dinheiro na USP sem termos um retorno à altura de tal investimento.

  26. Pingback: Reações a doença de Lula e à PM na USP evidenciam crise ideológica e cultural « Ficha Corrida

  27. O protesto contra o autoritarismo dentro do campus é válido, mas começou pelo motivo errado, por pessoas erradas e nada pode legítimar tantos atos de vandalismo. Só serviu para taxar os estudantes de marginais, desocupados. Porque não houve protesto pacífico quando o metrô foi vetado? Esperaram 3 estudantes serem presos por posse de entorpecente para acordar pra realidade? O texto é bonito, mas não é condizente com os atos e acontecimentos.

  28. Pingback: Parabéns, você foi manipulado. Mais uma vez!!! « Peraí que eu já escrevo!!!!

  29. Pingback: A história, á flor da pele, pede passagem, por mais difícil que seja… |

  30. Sou ex-universitário, mas continuo atuante nos movimentos estudantis, cada caso é um caso, os problemas existem, não há duvidas, mas a saída da PM dos campus só Interessa aos maconheiros, porque para os alunos que estão preocupados com o futuro da instituição e da sociedade como um todo a PM não significa nenhuma ameça..

    PS: esse pessoal deve ser o mesmo da passeata para a legalização da maconha…

  31. Blá, blá ,blá. Mas um típico “brasilian case” em que raposas acusam raposas de roubar os ovos da galinha ( o povo) que não dá em nada. A galinha estga perdida e cega no meio dessa história e continua pondo ovos para essas raposas devorarem como leões. Minha opinião? Tal como na revolução francessa é ora de averiguar todos os podres e cabeças sujas devem rolar, pelo bem da Nação. Viva a democracia!

  32. Pingback: USP: autonomia seletiva « Mobilização CAASO

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