Borboletas no estômago

O projeto “Educar para o Mundo” tem promovido, dentre outras atividades, uma série de oficinas com estudantes da Escola Municipal Infante Dom Henrique, no bairro do Canindé, em São Paulo. As oficinas debatem direitos fundamentais como lazer, identidade, mobilidade, educação e organização; e resultarão na elaboração de uma cartilha de Direitos Humanos, escrita do ponto de vista dos alunos e dos integrantes do projeto em um processo dialógico que temos descoberto dia-a-dia. Leia a seguir o relato de Natália de Araújo, estudante de Relações Internacionais e integrante do projeto, que narra um pouco desse processo de descobertas:

Naquele dia eu acordei nervosa. Era a nossa primeira oficina para a construção da cartilha de Direitos Humanos com os alunos da EMEF Infante Dom Henrique. Era também a minha verdadeira estreia no Educar para o Mundo, pois desde o início do ano nós, “novatos”, só havíamos atuado nos bastidores. Não posso negar que eu estava com aquela sensação de que não iria dar certo, afinal, não se encontram por aí muitos grupos autogeridos, que funcionam sem o comando de um líder ou um “especialista no assunto”.

 Com alguns minutos de atraso, que mais pareceram horas, enfim a atividade começou. Tínhamos que levar os alunos para a praça Kantuta e esse foi um bom exercício de paciência, tolerância e percepção: a galera andando vagarosamente e por vezes saindo da calçada, conversando e rindo me fez  ver que existem maneiras de se portar diferentes do meu ritmo frenético e taciturno de Avenida Paulista. São coisas que a gente já sabe, mas às vezes parece que só em certas horas nós realmente percebemos.

 Uma das conversas que tivemos com os jovens serviu para mostrar para nós, calouros, que também podemos nos sair bem, apesar da pouca experiência. Mesmo com toda a confiança que nossos veteranos demonstram ter em nós, sempre pensávamos que não sabíamos o suficiente sobre o projeto ou não tínhamos uma leitura de mundo tão apurada. Mas quando me dei conta, lá estava eu conduzindo uma discussão. E acreditem, falar para pessoas de fora da academia é bem mais difícil!

 É engraçado (ou trágico, eu deveria dizer) ver o quanto subestimamos os outros. E, felizmente, nos enganamos! “Meu, essa galera, que só tem 13, 14 anos vai ter muita dificuldade para se organizar e montar uma esquete em 20 minutos.” Mas imaginem quão grande foi a minha surpresa e a minha alegria quando , em uma das apresentações, um rapazinho falou: “ nós podemos jogar bola aqui. É um espaço público e nós temos direito.”

É, acho que o Educar não está emancipando só a comunidade!

Natália Lima de Araújo

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