Eu sou atriz pornô, e daí? de Contardo Calligaris

Quando a vítima é uma mulher e seu algoz é um homem, é muito frequente (e bem-vindo pela defesa) que surja a dúvida: será que o assassino ou o estuprador não foi “provocado” pela sua vítima? Atrás dessa dúvida recorrente há uma ideia antiga: o desejo feminino, quando ele ousa se mostrar, merece punição. Para muitos homens, o corpo feminino é o da mãe, que deve permanecer puro, ou, então, o da puta, ao qual nenhum respeito é devido: uma mulher, se ela deseja, só pode ser a puta com a qual tudo é permitido (estuprá-la, estropiá-la). Além disso, se as mulheres tiverem desejo sexual próprio, elas terão expectativas quanto à performance dos homens; só o que faltava, não é? Também, se as mulheres tiverem desejo próprio, por que não desejariam outros homens melhores do que nós? Seja como for, para protestar contra a observação brejeira do advogado Firpe, mandei fazer uma camiseta com a escrita que está no título desta coluna”. Leia aqui o artigo de Contardo Calligaris, publicado na Folha de S. Paulo de hoje. Acompanhe o autor pelo twitter @ccalligaris.

Max Ernst, La puberté proche, 1921

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3 pensamentos sobre “Eu sou atriz pornô, e daí? de Contardo Calligaris

  1. não vou dizer genial, pois este tema é recorrente, mas absolutamente necessário nestes tempos, já que é possível perceber que o passar do tempo parece não modificar esta ideia absurda, de ser possível a completa inversão dos papéis, abusador vira abusado? até a morta, que nem direito a um enterro teve, porque seu corpo nem encontrado foi, é mais uma vez, vilependiada, agora para desespero dos que aqui ainda estão assistindo a tudo.

  2. Olha, a minha filha já escreveu dois textos a esse respeito (no A Vez das Mulheres de Verdade, o endereço vai no final). É claro que assassinato é sempre uma coisa feia, mas se o Bruno não tivesse matado a moça, ela estaria ganhando uma bela pensão nas costas dele. O próprio Contardo Calligaris admite no texto dele que os homens não estão julgando a Eliza pelos filmes pornôs que ela fazia, mas por querer fazer a aposentadoria dela engravidando de jogador de futebol. Será que não estão querendo acabar com a raça do Bruno por não ser um Alexandre Pato que vai pagar uma pensão mensal de 20% do salário líquido pra uma mocinha de vinte e poucos anos?
    Quando falam da mulher, estão desviando o foco, tem que falar é do monstro do Bruno.
    Você e quem estiver lendo, leia menos textos de lésbicas frígidas feminazistas e olhe pra mulher real que é mais machista que os homens.
    Beijos
    Imaculada
    http://avezdasmulheres.wordpress.com

  3. Meu romance O Florista aborda o tema do desejo feminino criticado por Spinoza e considerado doença.Até meu roamnce foi considerado incoveniente por alguns,embra já traduzido em 3 paises.

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