Rap Global, de Queni – o heterônimo rapper de Boaventura de Sousa Santos

Boaventura de Sousa Santos é um sociólogo português de 69 anos e cabelos grisalhos como sói acontecer em sua idade. Queni N.S.L. Oeste é um jovem rapper português nascido no Barreiro, bairro da periferia de Lisboa. “Rap Global” é um livro — o primeiro de Queni. Publicado pela editora carioca Aeroplano, ele será lançado no Rio de Janeiro na próxima quarta-feira. Boaventura estará presente; Queni, não. Como indica seu nome esdrúxulo — uma alusão ao rapper americano Kanye West —, o jovem músico é na verdade apenas uma invenção do sociólogo, um alter ego que funciona como narrador imaginário de sua nova obra, definida por ele (Boaventura? Queni?) como “um grito do Ipiranga de quem foi até os confins da mais louca e oculta modernidade ocidental para poder denunciá-la sem peso nem medida mas com conhecimento de causa” . Conhecido por suas críticas à “monocultura racional” do mundo moderno, Boaventura tem, de forma coerente, pulado nos últimos anos a cerca da lavoura acadêmica. Depois de dois livros de poemas — “Escrita INKZ” (Aeroplano, 2004) e “Janela presa no andaime” (Scriptum, 2009) —, o sociólogo chamou de rap esta nova obra, um painel em fragmentos da vida contemporânea que interpela o leitor a todo momento com sucessivas denúncias de opressão (“sonha/ mas não ressones/ que a polícia está atenta”) e convocações à revolta (“deixa a tua mão crescer/ não a gastes em apertos”).  Boaventura — que também está lançando no Brasil o livro “Epistemologias do Sul” (Cortez) — comentou sua incursão pelo rap e resumiu seu credo político: “temos o direito a ser iguais quando a diferença nos inferioriza, temos o direito a ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza”, diz. Leia aqui a entrevista de Queni-Boaventura, publicada em O Globo de ontem.

Enviado por Ribas (UFRJ)

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Um pensamento sobre “Rap Global, de Queni – o heterônimo rapper de Boaventura de Sousa Santos

  1. genial! Boaventura, um intelectual extremamente conceituado, fazer uso da linguagem que atinge todos os jovens das periferias das metrópoles e realizar críticas à partir desse ângulo é uma genial demonstração cabal de que a ciência do quotidiano pode vir a ser melhor e melhor.

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