Facebook e twitter na educação

“O advento das redes sociais marcará uma nova era nas relações entre alunos e professores? O fenômeno ainda é embrionário, mas as plataformas comunitárias como Facebook e Twitter são cada vez mais utilizadas no âmbito escolar, como utensílio pedagógico ou meio de comunicação entre os jovens e seus professores.  Ao lado das tradicionais relações hierárquicas, limitadas à sala de aula, estes espaços tornam possíveis contatos pessoais, fora das paredes da escola. Uma evolução que possui vantagens e desvantagens”. Leia aqui as matérias de Romain Parlier sobre relações prof/aluno nas redes sociais e a primeira experiência francesa de “aula-twitter”.   

O Iagê Miola (Univ. de Milão) nos envia um excelente artigo de Juan Carlos Tedesco sobre o uso da rede entre os alunos: “As transgressões à disciplina escolar antes deviam ser ocultadas e agora são exibidas. Mesmo as ‘matações de aula’ e as agressões físicas ou simbólicas a companheiros ou docentes, eram feitas de forma privada e oculta, para evitar sanções. Agora, são cometidas para ser exibidas. Nesta mudança de conduta podem-se identificar ao menos 2 grandes elementos. O primeiro é que se perdeu o medo da sanção. O segundo é um afã de exibição, de notoriedade, exacerbado pelas posibilidades oferecidas pelas tecnologias de informação e comunicação”. Leia aqui o artigo Facebook y rateadas masivas (Página 12,  25/05/2010). Zap, grazie.

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2 pensamentos sobre “Facebook e twitter na educação

  1. (Veiculado pela Lista da ABEDI)

    Ola Deisy, como voce tem twitter, blog, e a meu ver sabe separar o público do privado “muito bem”, mister que precisamos aprender com você, o que voce sentiu ou sopesou com esse artigo? Acha que de fato essa prática nova tem de fato a oferecer mais – tornar a educação mais interativa, mesmo correndo riscos…?

    abcs
    Tania

  2. Pois é, Tania, esta era a pergunta que eu temia (risos). A propósito, acabo de assinar um documento que autoriza a transmissão, via Second Life, de uma conferência minha para o Instituto Humanitas. Dá uma olhada em como eles estão utilizando este recurso: http://www.ihuonline.unisinos.br//uploads/edicoes/1183418931.89pdf.pdf.

    Não vou fugir da questão, embora tenha mais dúvidas do que respostas. Três pontos parecem-me importantes.

    Em primeiro lugar, a decrépita hierarquia: surpreendeu-me, tanto no texto do jornalista como nos comentários dos leitores do Le Monde, que a maior objeção ao intercâmbio nas redes sociais seja o fato do professor “colocar-se no mesmo plano que os alunos”. Como pode haver comunicação se não nos colocarmos no mesmo plano? Neste particular, a internet ajuda duplamente: por um lado, ela é uma plataforma poderosa, um corredor adicional da escola onde posso disparar links, divulgar eventos, projetos e autores; por outro lado, nela interagir me ajuda a entender o léxico e a dinâmica da comunicação das diferentes gerações. No twitter, em particular, sigo diversos alunos com quem aprendo muito, como é o caso do http://twitter.com/JTelesforo, do http://twitter.com/gmpetrus e do http://twitter.com/jnascim, entre tantos outros. É óbvio que estamos em momentos da vida diferentes e que dispomos de um acervo, de conhecimento e de vivência, diferente, mas acho que é justamente esta diferença que nos interessa.

    Em segundo lugar, as bases para a educação dialógica: de fato, quando eu comecei a lecionar, com 24 anos, meu problema era lidar com os alunos mais velhos do que eu. Hoje, eu estou com quase 43 anos e meus alunos têm em média 19. Não é possível ensinar gritando da borda oposta do abismo. Eu já me preocupava ao saber que 90% da comunicação humana não é verbal, e portanto a dimensão imagética da aula e a linguagem corporal do professor precisavam ser exploradas. Agora que grande parte da comunicação se dá por meios virtuais, este campo é crucial, e não somente como tecnologia para transmitir conteúdos. Saber da enorme heterogeneidade que existe entre os alunos, da música que ouvem, onde andam, sobre o que conversam, etc., não me faz dar recibo da indigência cultural e do egocentrismo em que uma parte deles se refugia, mas, ao contrário, me ajuda a encontrar pontes para fazer melhor o meu trabalho.

    E aí chegamos ao terceiro lugar, que é a parte punk: a maledicência. Por ser “amiga” de alunos no twitter, no orkut e no facebook (ressalto que estas aspas não estão ligadas à relação professor/aluno, mas ao fato de que há pessoas, não necessariamente estudantes, que conheço superficialmente e estão entre meus contatos), por vezes testemunho, sem querer, distorções descomunais de diálogos, e até verdadeiros linchamentos virtuais de colegas meus. O lado bom é que ao menos os que estão em rede comigo não me lincham por esta via (risos). Falando sério, porém, a mesma ética que os obriga a respeitar minhas posições já me levou a calar diante de incompreensões ou injustiças tremendas. De outra parte, principalmente o facebook e o orkut, onde estão minha família e amigos no sentido próprio da palavra, acabam permitindo aos nossos “amigos” o acesso a uma parte da nossa vida pessoal, pois estas redes encorajam esta exposição – aliás, foram feitas para isto. É a tal da sociedade do gozo, do Charles Melman.

    Bueno, eventuais entusiasmos neste gozo podem nutrir a maledicência alheia, defeito de todo o ser humano. Infelizmente, na universidade, alguns fazem da maledicência sua principal atividade. Sem dúvida, trata-se de um risco enorme. Não faltam relatos de fofocas vulcânicas, páginas clonadas, fotos manipuladas, etc.

    No entanto, acho que este é um problema das pessoas, não das redes, e que estes riscos nos assombram de qualquer modo, estando nelas ou não. Ao fim e ao cabo, “nem chumbo nem pólvora” (Gramsci numa hora dessas? :) – O que não dá pra aguentar é esta literatura do tipo “Twitter, chiclete e camisinha”, em que um iluminado marketeiro comportamental preconiza a panaceia dos problemas de comunicação via elasticidade: o mundo seria um twitchiclete, a salvação seria preencher a twitbola, e por aí vai a miséria humana.

    Quanto ao blog, enfim, salvo se for hackeado, forma um acervo extraordinário que oferece poucos riscos por ser brutalmente menos interativo. Mas a única coisa de que tenho mesmo certeza sobre ele é de que alimentá-lo dá um trabalho danado… xP

    Tania, espero ter ajudado de algum modo ! Abração e bom domingo,
    D.

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